A Revolução Espanhola conquistou muitos mártires para a Igreja « Paróquia de São Judas Tadeu

A Revolução Espanhola conquistou muitos mártires para a Igreja

A Diocese de Cartagena, Espanha, abriu processo para canonização de 61 mártires

As revoluções e as guerras mundiais dos últimos séculos produziram mais mártires do que todo o passado da Igreja. A Revolução Francesa em 1789; a Revolução Comunista na Rússia em 1917; a Revolução Mexicana de 1939; a Revolução Espanhola de 1938 a 1939, além do nazismo, fizeram milhares de mártires.

Antonio Montero, em La historia de la persecución religiosa en España (BAC 204, 1982, pp. XIII-XIV), diz que “em toda a história da Igreja universal não há um único precedente, nem sequer nas perseguições romanas, do sacrifício sangrento, em pouco mais de um semestre, de doze bispos, quatro mil sacerdotes e mais de dois mil religiosos”.

Imagem ilustrativa

A Diocese de Cartagena, Espanha, abriu processo para canonização de 61 mártires (37 sacerdotes, 4 seminaristas, 13 leigos, 2 eremitas, e outros) da terrível Guerra Civil Espanhola de 1936, fruto da perseguição comunista contra a Igreja na Espanha, de 1936 a 1939. As outras dioceses da Espanha estão fazendo o mesmo (Zenit.org, 22 de janeiro de 2007). Segundo os testemunhos da época, os informes forenses e as descrições de testemunhos presenciais, a maioria dos mártires morreu por disparos de bala ou apunhaladas e, em muitos casos, foram torturados antes de sua morte.

Os expedientes da época provam que um dos assassinados foi enterrado vivo, a outros arrancaram os olhos, cortaram as orelhas ou arrastaram pela cidade, como aconteceu com o pároco de Carmen, Sotero González Lerma, a quem também penduraram na entrada do templo e queimaram.

O que foi a terrível Guerra Civil Espanhola?

Foi algo semelhante ao que aconteceu no México, na mesma época. Uma horrível perseguição comunista sem precedentes contra a Igreja e os católicos. Esta terrível guerra na Espanha aconteceu como um reflexo da Revolução comunista na Rússia, em 1917, que se desenrolava com Lênin, Stalin etc. Em 1931, houve eleições na Espanha e os republicanos, de linha comunista (marxistas, ateus), além dos anarquistas revolucionários, obtiveram a maioria nos conselhos das grandes cidades, embora tivessem perdido em todo o país, e o rei Afonso XIII havia renunciado ao trono. Os republicanos odiavam Deus e a Igreja, nos moldes comunistas. Foi então proclamada a República e extinta a monarquia. Logo começou a perseguição contra a Igreja e os católicos.

Em 1931, a Espanha tinha cerca de 30.000 sacerdotes diocesanos, 40.000 religiosos (6.000 sacerdotes entre eles) e cerca de 40.000 religiosas e monjas. No mesmo ano, por incitação do governo comunista, dezenas de igrejas e conventos foram saqueados e incendiados (Historia total de España, Ricardo de la Cierva, Editorial Fênix, Madrid, 2001; p. 854).

A perseguição religiosa continuou nos quatro meses que precederam a guerra civil; houve 160 igrejas incendiadas. Entre os milhares de civis mortos pelos comunistas, anarquistas e socialistas, estão pelo menos 6 mil padres, freiras e monges, além de 12 bispos; muitos foram queimados ainda com vida e outros foram enterrados vivos. O ministro da guerra, Manuel Azaña, em um de seus muitos discursos, disse que “preferia ver todas as igrejas da Espanha incendiadas a ver uma só cabeça republicana ferida” (cf. www.wikipedia.org).

O Governo comunista elaborou uma nova Constituição, que negava os direitos da Igreja, e estabeleceu a reforma; crescia o ódio contra a Igreja. Hugh Thomas, em A Guerra Civil Espanhola (Ed. Civilização Brasileira, 2 vol. 1964), disse que nunca se viu na Europa e no mundo um ódio tão apaixonado contra a religião. Mais de cem sacerdotes da diocese de Barbastro foram fuzilados. Os mártires eram torturados terrivelmente antes de serem mortos. Uns eram espancados, outros tinham os olhos vazados, sofriam queimaduras, choques elétricos; as monjas sofriam abusos sexuais, e outros suplícios; fruto do ódio marxista contra a religião. Os horrores foram piores que os dos tempos bárbaros.

Paraíso socialista

Tornou-se muito conhecido o caso do Irmão Fernando Saperas, que depois de sofrer muita tortura, foi fuzilado, morrendo com essas palavras nos lábios: “Viva Cristo Rei!”. As imagens de Nossa Senhora e do Sagrado Coração de Jesus foram profanadas em público e quebradas, e muitas igrejas e sacrários também foram profanados. Todo o ódio marxista contra Deus e a Igreja foi derramado na Espanha.

Quando a Guerra terminou, a morte de mais de 400 mil espanhóis e uma queda enorme na economia teve como consequência a morte de mais da metade do gado, a queima de campos, e milhões de moradias destruídas. Um abalo financeiro e queda do PIB que demorou quase 30 anos para se normalizar. Outras fontes ressaltam a dificuldade em quantificar o número de mortos por causa da guerra originada pelo chamado “Movimiento Nacional”.

Tudo isso aconteceu há apenas 70 anos, mas infelizmente muitos não tomaram conhecimento desta barbaridade cometida contra os cristãos pelos comunistas da Espanha e México. Outros se esqueceram do passado de sangue. Por isso, a maioria de nossa juventude não sabe o perigo da ideologia marxista, especialmente porque nas universidades ainda se cultiva com afã o sonho do paraíso socialista a ser implantado na Terra.

Em 26 de junho de 2006 (Zenit.org), o Papa Bento XVI assinou os decretos pelos quais se reconhece o martírio de 148 religiosos, religiosas e uma leiga, assassinados na Espanha entre 1936 e 1937, em plena perseguição religiosa. Dom Antonio Montero, arcebispo emérito de Mérida-Badajoz, publicou, em 1961, na Biblioteca de Autores Cristãos uma História da perseguição religiosa na Espanha, 1936 a 1939, a primeira grande obra sobre o tema, na qual se calculava que os representantes da Igreja assassinados nesta perseguição foram 6.832, dos quais 4.184 seriam sacerdotes diocesanos, incluindo os seminaristas, 2.365 religiosos e 283 religiosas.

Nessa mesma segunda-feira, a editora Edibesa publicou o livro ‘O hábito e a cruz‘, no qual seu autor, Gregorio Rodríguez Fernández, estabelece, com o novo material que se pôde recolher nesses anos, que no total foram assassinados 296 religiosas de 62 congregações. Desse número de mártires, 80 já foram beatificados entre março de 1987 e outubro de 2005.

 

Por Prof. Felipe Aquino
Via Canção Nova

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