Voz do Pastor › 13/07/2015

Igreja, sim!

Queridos paroquianos,

download (4)Estamos continuando nossa caminhada em “Tempo Comum”, tempo privilegiado da Igreja em que todos nós, sem exceção, somos chamados a dar testemunho de fé, e a assumir a nossa corresponsabilidade no espaço eclesial. O que quer dizer isso? Fazer a nossa parte, agir com coerência, buscar viver a verdade, entregarmo-nos ao serviço, sempre – em nossa família, trabalho, comunidade.

O mês de julho em nossa paróquia ressalta um aspecto bem importante, mas também “afogado” num certo preconceito, e que deve nos fazer pensar: é mês dedicado ao dízimo, um mandamento um tanto quanto negligenciado por muitos, hoje, diante de um discurso que manipula as mentes lá fora, e procura tratar a Igreja como “instituição rica” e o “pedido de dinheiro” como “exploração”. Se sabemos que acontece distorção em muitos lugares, e especialmente em instituições ditas religiosas, mas que não são sérias, o fato é que sabemos também que, vivido como convém, o mandamento supõe o assumir de nosso lugar na Igreja, a compreensão de que nós que somos Igreja, que habitamos uma paróquia, precisamos sustentá-la, ou não será possível ficar de pé. Como pagar as despesas básicas sem isso? E como garantir a assistência aos carentes e todos os trabalhos de evangelização que fazemos?

É algo importante de ser pensado. Não como uma “taxa fixa” e obrigatória, mas como uma contribuição de amor, a expressão de quem sabe que precisa contribuir porque é assim que uma família faz. Todos contribuem para que as coisas possam continuar funcionando, não é verdade?

Mas há muito mais a refletirmos neste mês, e proponho a vocês que prestem especial atenção à viagem que o Santo Padre está fazendo aqui, na América Latina, em países tão próximos. Como tem sido feliz o nosso Papa em suas palavras! Como tem levantado questões fundamentais para cada povo visitado! Ele vem como profeta e sabe a hora e a forma exata de agir, sabe o que falar, sabe o que desafiar. O respeito pelo pobre, a necessidade da ternura e da proximidade, do diálogo, da cultura do encontro, o amor como essencial para a configuração do discípulo missionário…

Muito há o que aprendermos com nosso Papa! Escolhido pelo próprio Espírito para nos guiar, vem a cada dia nos dando lições de humildade, desprendimento, enquanto mergulhado em um carisma incrível! Não esmorece, ainda que certamente cansado fisicamente em muitos momentos. Quem não imagina o seu cansaço diante de uma maratona como a que está fazendo? Mas quem não aprende com sua ação, pedagógica a cada passo?

Vale a pena comentar um acontecimento que deixou a imprensa e as redes sociais “em polvorosa” esta semana… Quem não ficou incomodado com aquele presente inesperado que ele recebeu, de um crucifixo esculpido em foice e martelo? Uma certa indignação, provavelmente, atingiu muitos de nós. O próprio Francisco comentou baixinho: “isto não está certo”. Porém, cabia uma resposta cuidadosa e diplomática, de quem, sábio e profeta, age com cautela e precisão… Receber o presente era gesto educado. Pedagógico. Seria uma provocação? Tudo bem. Vamos acolher. A provocação também. Faz parte! A resposta virá a seu tempo! E se não fosse isso? Vamos dialogar com o gesto…

Muitos aprenderam depois – pesquisa feita – que aquela era uma escultura proposta por um padre jesuíta, o Pe. Luis Espinal Camps, assassinado por paramilitares durante a ditadura na Bolívia em 1980. Leram isso? O próprio Pe. Federico Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé e da Rádio Vaticano fez questão de ressaltar. Talvez demasiadamente ousada, podemos considerar… Mas qual era a intenção?  A intenção original era sinalizar o diálogo aberto para com todos. E podemos crer que Evo Morales, em gesto de acolhida, e quem sabe sem saber o que dar a um outro chefe de Estado, chefe com características tão especiais, tenha buscado o que lhe pareceu mais autêntico, já que era um sinal de acolhimento e diálogo proposto por um padre que ali atuara e ali morrera tentando promover a paz.

Meus filhos, as lições podem ser muitas. Mas o mês nos pede para voltarmos de maneira muito particular o nosso olhar para a Igreja. Para nós mesmos e nossas ações, para o julgamento que fazemos até de nossa Igreja, por vezes, para a falta de misericórdia e caridade, para a falta de zelo com a nossa fé. Mergulhemos, então, nesse contexto com coragem para que possamos acertar os rumos da forma que o próprio Deus nos indicar! E vamos em frente, fazendo como Francisco fez ao sair da Bolívia… Deixando aos pés de Nossa Senhora os louvores, presentes recebidos, “comendas”; e seguindo sempre, porque temos certeza de que vale a pena, pois sabemos em quem colocamos a nossa esperança…

Que Deus os abençoe!

Pe. Carmine Pascale

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