Leg. Coração Imaculado

Na Idade Média, a devoção ao Sagrado Coração era praticada nos conventos por um número restrito de pessoas, sendo que a partir de São João Eudes (1601-1680), podemos dizer que a devoção ao Sagrado Coração  teve sua primeira grande difusão entre o povo cristão [1].

Entretanto, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus tal como hoje é praticada, devido às revelações de Nosso Senhor a Santa Margarida Maria Alacoque, em Paray-le-Monial, na França, em fins do século XVII, momento em que apresentou à santa suas promessas. Nosso Senhor nos mostra a infinidade de seu amor por nós, e de maneira particular a importância da consagração a Ele e contém ainda a determinação de reparar os ultrajes de que Ele é objeto por parte dos homens [2].

No século XVII,  a França era sacudida por épocas turbulentas,  com crises no campo político, religioso, econômico e social, onde havia uma grande hostilidade à Igreja tendo em vista a perspectiva do pecado, momento em que havia uma dualidade entre os jansenistas, que eram rígidos, puritanos, de coração estreito e mente pequena, amedrontados diante de um Deus severo e castigador, e  em contraposição os libertinos da época com sua pratica oposta davam à época um aspecto sombrio, marcado pelo pecado, materialismo, descristianização e pagão. Entretanto, em contraposição a esses extremos, o Sagrado Coração de Jesus vem se mostrar em sua infinita misericórdia, bondade e amor por todos nós.

Neste contexto, Santa Margarida Maria Alacoque é escolhida por Deus para revelar ao mundo o Coração de Jesus, sob uma nova perspectiva como assinala Pe Roque Schineider SJ: “ o amor não correspondido,  que pede desagravo, reparação de todos os fiéis, à luz da misericórdia de Jesus Cristo, o redentor, enviado pelo Pai para  salvar e não para condenar.[3]

Assim ensina João Paulo II na Mensagem do Santo Padre aos peregrinos reunidos em oração no Santuário de Paray Le Monial (França) : “Depois de São João Eudes, que nos ensinou a contemplar Jesus, o coração dos corações, no coração de Maria, e a fazer com que amássemos estes dois corações, o culto prestado ao Sagrado Coração expandiu-se sobretudo graças a Santa Margarida Maria, religiosa da Visitação em Paray-le-Monial”[4].

Neste mesmo sentido continua o Beato João Paulo II: “Queridos Irmãos e Irmãs, contemplemos o Sagrado Coração de Jesus, que é fonte de vida, porque por seu intermédio se realizou a vitória sobre a morte. Ele é também fonte de santidade, porque nele é derrotado o pecado, que é inimigo da santidade, inimigo do progresso espiritual do homem. No Coração do Senhor Jesus, tem início a santidade de cada um de nós. Aprendamos deste coração o amor a Deus e a compreensão do mistério do pecado –mysterium iniquitatis. Façamos actos reparadores ao Divino Coração pelos pecados cometidos por nós e pelo nosso próximo. Reparemos pela recusa da bondade e do amor de Deus. Aproximemo-nos todos os dias desta fonte de água viva. Invoquemos com a mulher samaritana: «dai-nos desta água», porque ela dá a vida eterna. Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade,
Coração de Jesus, fonte de vida e de santidade,
Coração de Jesus, propiciação pelos nossos pecados – tende piedade de nós. Amém.[5]

De acordo com o autor André Sá, Santa Margarida Maria Alacoque recebeu desde muito cedo graças de vida mística extraordinária, mas as principais concernentes às Grandes Revelações sobre o Sagrado Coração de Jesus tendo ocorrido entre dezembro de 1673 e junho de 1675.

Na primeira Grande Revelação Jesus fala de seu imenso amor por nós,  provavelmente em 27 de dezembro de 1673, momento em que Santa Margarida Maria assim o relata:

Meu Coração divino é tão apaixonado de amor pelos homens, e por ti em particular, que não mais podendo conter em si as chamas de sua caridade ardente, é preciso que elas se difundam por teu intermédio, e que ele se manifeste aos homens para enriquecê-los de seus tesouros preciosos, que eu aqui manifesto, e que contêm as graças santificantes e salvíficas necessárias para retirá-los do abismo de perdição”.  

 Na segunda Grande Revelação Nosso Senhor mostra seu Sagrado Coração,provavelmente numa das primeiras sextas-feiras de 1674, momento em que Santa Margarida descreve essa aparição, em carta ao Pe. Croiset, jesuíta:          

 “Este Coração divino me foi apresentado como num trono de chamas, mais radiante que um sol, com sua chaga adorável. Estava rodeado de uma coroa de espinhos, que significava as ofensas que nossos pecados lhe faziam. Era ainda encimado por uma cruz. E Ele me fez ver que o ardente desejo que tinha de ser amado do homens e de retirá-los da via de perdição em que satanás os precipita um multidão, lhe havia feito formar esse desígnio de manifestar seu Coração aos homens, com todos os tesouros de amor, de misericórdia, de graça, de santificação e de salvação que continha. Onde esta imagem (do Sagrado Coração) fosse exposta, para ser honrada, Ele ali difundiria suas graças e bênçãos”.

Na terceira Grande Revelação Nosso Senhor pede um culto reparador,provavelmente em 1674bem como a comunhão frequente, comunhão das primeiras sextas-feiras e a Hora Santa na quinta-feira, às 11 horas da noite.

Na quarta Grande Revelação, que ocorreu  entre 13 e 20 de junho de 1675, Nosso Senhor afirmou à santa:

“Eis o Coração que tanto amou os homens, que nada poupou até se esgotar e se consumir para lhes testemunhar seu amor. Como reconhecimento, não recebo da maior parte deles senão ingratidões, pelas suas irreverências e sacrilégios, e pela frieza e desprezo que tem para comigo na Eucaristia. Entretanto, para Mim mais doloroso, há corações consagrados que agem assim. Por isto te peço que a primeira sexta-feira após a oitava do Santíssimo Sacramento seja dedicada a uma festa particular para honrar meu Coração, comungando neste dia e reparando-o pelos insultos que recebeu durante o tempo em que foi exposto nos altares. Prometo-te que meu Coração se dilatará para derramar os influxos de seu amor divino sobre aqueles que lhe prestarem esta honra”. 

Por fim, existe a chamada Grande Promessa do Sagrado Coração, que é a graça da penitência final e está contida numa carta, provavelmente de maio de 1688, de Santa Margarida Maria à madre de Saumaise, sua antiga superiora, na qual a santa narra:

“Numa sexta-feira, durante a Santa Comunhão, Ele disse à sua indigna escrava: – Eu te prometo, que (concederei) a todos aqueles que comungarem consecutivamente nas nove primeiras sextas-feiras dos meses, a graça da penitência final, não morrendo na minha desgraça e sem receber os sacramentos, (meu Coração divino) se tornando seu asilo seguro no último momento”.( grifo nosso)

[1] P 328. Dicionário de Mariologia.MEO, Stefano de Fiores e Salvatore, Dicionário de Mariologia, 1995, Paulus)

[2] MINHAS CONVERSAS DIÁRIAS COM O SAGRADO CORAÇÃO. SÁ, André, Minhas conversas diárias com o Sagrado Coração. Edição da Associação Apostolado do Sagrado Coração, 2006 – São Paulo

[3] SCHNEIDER, SJ, Roque. O Coração de Jesus e a Grande Promessa. Edições Loyola. P 12

[4] http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/letters/1999/documents/hf_jp-ii_let_19990604_bishop-bille_po.html

 [5] VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA JOÃO PAULO II À POLÓNIA. Homilia do Santo Padre no encontro de Oração para o Ato de Devoção ao Devoção ao Sagrado coração de Jesus em Elblag, 6 de Junho de 1999. http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/homilies/1999/documents/hf_jp-ii_hom_19990606_elblag_po.html


Coordenador Pastoral:
Valdene Amorim Carneiro

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