Artigos › 12/09/2017

Que tal convencer sem esmagar? Os 9 princípios da comunicação cristã

Quem quer comunicar a experiência cristã precisa conhecer a fé que deseja transmitir, e precisa conhecer também as regras do jogo da comunicação pública.

Há princípios a seguir: sobre a mensagem que se quer difundir; sobre a pessoa que comunica; e sobre o modo de transmitir.

A mensagem

1 – A mensagem deve ser positiva. Os públicos recebem informações muito variadas e prestam atenção aos protestos e às críticas, mas, acima de tudo, aderem a projetos, propostas e causas positivas.

2 – A mensagem deve ser relevante, com significado para quem ouve e não apenas para quem fala.

3 – A mensagem deve ser clara. A comunicação não é principalmente o que o emissor diz, mas o que o destinatário ouve. Para comunicar é preciso evitar os argumentos complexos e as palavras obscuras.

A pessoa que comunica

4 – O destinatário aceita a mensagem que vem de uma pessoa ou organização que mereça credibilidade. A credibilidade se apoia na veracidade e na integridade moral. Por isso, a mentira e a suspeita anulam a comunicação.

5 – Empatia. A comunicação é uma relação entre pessoas, com pontos de vista, sentimentos e emoções. Falar de modo frio aumenta a distância. A empatia não é renunciar às convicções pessoais, mas imaginar-se na pele do outro.

6 – Cortesia. Se não respeitarmos as formas, corremos o risco de que a proposta cristã seja vista como mais uma das posições radicais que andam por aí. A clareza não é incompatível com a amabilidade. Com amabilidade é possível conversar; sem amabilidade o fracasso fica garantido.

O modo de comunicar

7 – Profissionalismo. Cada campo do saber tem a sua metodologia; cada atividade, as suas regras; e cada profissão, a sua lógica. Isto se aplica também às ações de comunicação.

8 – Transversalidade. O profissionalismo é imprescindível quando um debate afeta as convicções religiosas. A transversalidade é imprescindível quando um debate afeta as convicções políticas.

9 – Gradualidade. As tendências sociais nascem, crescem, se desenvolvem, se alteram e morrem. Em consequência, a comunicação de ideias tem muito a ver com a “agricultura”: semear, regar, podar, limpar, esperar, antes de colher.

O fenômeno da secularização se consolidou ao longo dos últimos séculos. Processos de longa gestação não se resolvem em anos, meses ou semanas. O cardeal Ratzinger dizia que a nossa visão do mundo costuma seguir um paradigma “masculino”, onde o importante é a ação, a eficácia, a programação e a rapidez. E concluía que convém dar mais espaço a um paradigma “feminino”, porque a mulher sabe que tudo o que tem a ver com a vida requer espera, paciência.

O princípio prévio e basilar

A estes 9 princípios junta-se outro, que afeta todos eles: o princípio da caridade.

A caridade é o conteúdo, o método e o estilo da comunicação da fé. A caridade dá credibilidade, empatia e amabilidade às pessoas que comunicam. E é a força que permite agir de forma paciente, integradora e aberta. Porque o mundo em que vivemos é também, com excessiva frequência, um mundo duro e frio, onde muitas pessoas se sentem excluídas e maltratadas e sonham com um pouco de luz e calor. Neste mundo, o grande argumento dos católicos é a caridade.

Adaptado de texto de Juan Manuel Mora, via blog Senza Pagare/Aleteia

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