“Senhor, por que razão hás de manifestar-te a nós e não ao mundo?” (Jo 14,22)
ArqNit - Thiago Maia

Seminário Arquidiocesano celebra 110 anos de fundação

Hoje, dia 11 de janeiro, o Seminário Arquidiocesano São José, completa 110 anos de fundação, formando sacerdotes, desde 1909.

Por Decreto Imperial, de 02 de dezembro de 1854, o prédio pertenceu à 1Baronesa da Soledade, Francisca Elisa Xavier, que nasceu em 1786 e faleceu em 1855. A Baronesa era uma grande proprietária de terras, na região dos atuais bairros de São Lourenço e Fonseca.

O título de Baronesa da Sociedade foi conferido a Francisca Elisa Xavier, por Dom Pedro II, em 1854. Após a sua morte, a propriedade foi vendida ao Comendador José Duarte Galvão Júnior, e em 1897, cedida à Diocese de Niterói, hoje Arquidiocese de Niterói, depois de permanecer muitos anos fechado.

Em 1909, ali se fixou o Palácio Episcopal, por iniciativa do Bispo da época, Dom Agostinho Benassi e, no mesmo ano, passou a abrigar o Seminário Diocesano de São José.

Em 1992, em 30 de dezembro, pelo processo de número 6.539, o prédio foi tombado pelo município de Niterói: “… sob o risco de caráter neoclássico do arquiteto italiano Antônio Forchini. Apresenta uma composição simétrica em todas as fachadas. O corpo central possui, no pavimento térreo, o acesso principal, precedido por uma escada de convite. Quatro janelas, dispostas duas a duas, ladeiam a porta. No pavimento superior, cinco janelas francesas se abrem para um balcão sacado e corrido. A fachada principal se completa com a presença de dois corpos dispostos simetricamente, contendo, cada um, duas janelas por pavimento. Todo o prédio é encimado por entablamento, platibanda e frontão triangular na fachada principal, possuindo pilares e cunhais com capitéis clássicos.” (Trecho do decreto de tombamento).

 

Breve história

Dentre as edificações suntuosas, erguidas pela nobreza brasileira, em meados do século   XIX, como símbolo de posição social e prosperidade econômica, podemos ressaltar que o Palacete da Soledade é um exemplo significativo da arquitetura senhorial oitocentista, na Província do Rio de Janeiro.

Prédio de feições neoclássicas, foi construído entre 1846 e 1849, para servir de residência a D. Francisca Elisa Xavier (1786 -1855), natural de Pati do Alferes, 1aBaronesa da Soledade, grande proprietária de terras na região dos atuais bairros de São Lourenço e Fonseca, na época, áreas essencialmente rurais, com recantos bucólicos, onde soberbas mangueiras, pés de ficus e oitis dominavam a paisagem. D.Elisa Xavier havia contraído matrimônio em 04 de setembro de 1804, com Manoel Francisco Xavier, Capitão-mor da Vila de Nossa Senhora da Conceição do Alferes, açoriano, rico proprietário rural, senhor das fazendas Freguesia (atual Arcozelo), Maravilha, Santa Teresa e do sítio Cachoeira, todas as referidas propriedades em Paty do Alferes, na Província do Rio de Janeiro.

Em 1838, nas fazendas Freguesia e Maravilha, sob a liderança de Manoel Congo, eclodiram levantes de escravos, que se espalharam pela região cafeeira do Vale do Paraíba fluminense. A repressão aos rebeldes coube a Laureano Correia e Castro, Barão de Campo Belo, comandante da Guarda Nacional na região, resultando na prisão de escravos e na condenação de Manoel Congo à pena de morte na forca.

Viúva em 1840, D.Francisca Elisa empreendeu a construção de sua residência, na Imperial Cidade de Niterói, então capital da Província fluminense. A edificação histórica, de dois pavimentos, coroada por um frontão triangular, foi posicionada sobre um outeiro, cercado por palmeiras imperiais, a cavaleiro da confluência entre as ruas Genserico Ribeiro e Dr. Carlos Maximiano, antiga Rua da Soledade.

Parte significativa das terras do bairro do Fonseca tinham sido desmembradas de uma grande fazenda de cana-de-açúcar existente na região, propriedade de José da Fonseca e Vasconcellos e de sua esposa, D. Dionísia Maria da Silva Sandoval. Dentre os senhores de terra que empreenderam benfeitorias na área supracitada, podemos assinalar o Brigadeiro João Nepomuceno Castrioto, Constantino Pereira de Barros, Barão de São João de Icaraí, e o Comendador Boaventura Ferreira Maciel, imortalizado na denominação da Alameda São Boaventura, inaugurada em 1909. A Baronesa da Soledade também teve seu título perpetuado na designação da Travessa Baronesa, atual Travessa Ari Pinto Lima.

Nos arredores do Palacete da Soledade, havia o Largo da Ponte de Pedra, logradouro alusivo à primeira ponte de cantaria lavrada erguida na então Vila Real da Praia Grande. A obra foi executada em 1820, sendo arrematante do contrato, Antônio Francisco Caetano; a referida ponte estava localizada sobre o Rio dos Passarinhos, exatamente no encontro das ruas de São Lourenço, de Santana, atual Benjamin Constant, e da Soledade.

Em virtude do falecimento da Baronesa, em 12 de outubro de 1855, sem deixar descendentes, o patrimônio do casal Xavier foi legado, em grande parte, a filhos de criação, adotados ao longo da vida. O palacete da Soledade foi deixado em testamento pela Baronesa à sua dileta amiga, D. Francisca Airosa Galvão, filha do comendador Duarte Galvão e esposa do médico Dr. Mateus de Andrade.

Após muitos anos fechado, o venerando prédio foi doado à Diocese de Niterói em 1909, tendo abrigado o Palácio Episcopal, por iniciativa do Bispo Dom Agostinho Benassi. Naquele mesmo ano, o prédio passou a abrigar o Seminário Diocesano de São José, instituição ainda hoje lá sediada.

 

Por João Dias
Fontes: Prefeitura de Niterói e Arquivo Arquidiocesano
Texto: Breve história publicado em arqnit.org/arqnit/seminario/
Arte: Thiago Maia

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